Inexoravelmente

novembro 27, 2008

Hipocrisia

Filed under: Comportamento — oldbastard @ 8:17 pm
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Coletado de vários dicionários online:

Do grego υποκρισις [hupokrisis] (Substantivo feminino). Hipocrisia, dissimulação, fingimento.

1.aparentar uma virtude, um sentimento louvável que não se tem.

2.impostura, fingimento, simulação, falsidade, o oposto da sinceridade e da franqueza.

3.falsa devoção.

4. é o fato segundo o qual discurso do indivíduo ou de um grupo não se alinha perfeitamente com sua prática.

Ainda segundo a Wikipédia (obviamente necessitando revisão e/ou com dados de confiabilidade duvidosa):

A hipocrisia é o ato de fingir ter crenças, virtudes e sentimentos que a pessoa na verdade não possui. A palavra deriva do latim hypocrisis e do grego hupokrisis ambos significando a representação de um ator, atuação, fingimento (no sentido artístico). Essa palavra passou, mais tarde, a designar moralmente pessoas que representam, que fingem comportamentos.

Um exemplo clássico de ato hipócrita é denunciar alguém por realizar alguma ação enquanto realiza a mesma ação.

O cientista cognitivo Keith Stanovich fez uma carreira do estudo da hipocrisia. Ele a vê como surgindo da incompatibilidade de tais coisas como o interesse próprio e os desejos com crenças de ordem mais alta na moralidade e na virtude. As únicas pessoas que não são hipócritas são a minúscula e talvez não-existente minoria que é tão santa que nunca se entregam a seus instintos mais básicos e o grupo maior que nunca tenta viver segundo os princípios da moralidade ou virtude. Ele dessa forma defende que os hipócritas são na verdade a classe mais nobre das pessoas.

François duc de la Rochefoucauld revelou, de maneira mordaz, a essência do comportamento hipócrita: “A hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude”. Ou seja, todo hipócrita finge emular comportamentos corretos, virtuosos, socialmente aceitos.

O termo “hipocrisia” é também comumente usado (alguns diriam abusado) num sentido que poderia ser designado de maneira mais específica como um “padrão duplo”. Um exemplo disso é quando alguém acredita honestamente que deveria ser imposto um conjunto de morais para um grupo de indivíduos diferente do de outro grupo.

Citação retirada do site http://www.citador.pt :

O Sofrimento do Hipócrita

Ter mentido é ter sofrido. 0 hipócrita é um paciente na dupla acepção da palavra; calcula um triunfo e sofre um suplício. A premeditação indefinida de uma ação ruim, acompanhada por doses de austeridade, a infâmia interior temperada de excelente reputação, enganar continuadamente, não ser jamais quem é, fazer ilusão, é uma fadiga. Compor a candura com todos os elementos negros que trabalham no cérebro, querer devorar os que o veneram, acariciar, reter-se, reprimir-se, estar sempre alerta, espiar constantemente, compor o rosto do crime latente, fazer da disformidade uma beleza, fabricar uma perfeição com a perversidade, fazer cócegas com o punhal, por açúcar no veneno, velar na franqueza do gesto e na música da voz, não ter o próprio olhar, nada mais difícil, nada mais doloroso. 0 odioso da hipocrisia começa obscuramente no hipócrita. Causa náuseas beber perpétuamente a impostura. A meiguice com que a astúcia disfarça a malvadez repugna ao malvado, continuamente obrigado a trazer essa mistura na boca, e há momentos de enjôo em que o hipócrita vomita quase o seu pensamento. Engolir essa saliva é coisa horrível. Ajuntai a isto o profundo orgulho. Existem horas estranhas em que o hipócrita se estima. Há um eu desmedido no impostor. 0 verme resvala como o dragão e como ele retesa-se e levanta-se. 0 traidor não é mais que um déspota tolhido que não pode fazer a sua vontade senão resignando-se ao segundo papel. É a mesquinhez capaz da enormidade. 0 hipócrita é um titã-anão.

Victor Hugo, in “Os Trabalhadores do Mar”


Outra:

A Hipocrisia do Ser

Para que servem esses píncaros elevados da filosofia, em cima dos quais nenhum ser humano se pode colocar, e essas regras que excedem a nossa prática e as nossas forças? Vejo frequentes vezes proporem-nos modelos de vida que nem quem os propõe nem os seus auditores têm alguma esperança de seguir ou, o que é pior, desejo de o fazer. Da mesma folha de papel onde acabou de escrever uma sentença de condenação de um adultério, o juiz rasga um pedaço para enviar um bilhetinho amoroso à mulher de um colega. Aquela com quem acabais de ilicitamente dar uma cambalhota, pouco depois e na vossa própria presença, bradará contra uma similar transgressão de uma sua amiga com mais severidade que o faria Pórcia. E há quem condene homens à morte por crimes que nem sequer considera transgressões. Quando jovem, vi um gentil-homem apresentar ao povo, com uma mão, versos de notável beleza e licenciosidade, e com outra, a mais belicosa reforma teológica de que o mundo, de há muito àquela parte, teve notícia.
Assim vão os homens. Deixa-se que as leis e os preceitos sigam o seu caminho: nós tomamos outro, não só por desregramento de costumes, mas também frequentemente por termos opiniões e juízos que lhes são contrários.

Michel de Montaigne, in ‘Ensaios – Da Vaidade’

E mais algumas curtinhas:

Cada um possui na sua natureza alguma coisa que, se a manifestasse em público, suscitaria reprovação

Fonte: “Máximas e Reflexões”
Autor: Goethe , Johann

Às vezes procura-se parecer melhor do que se é. Outras vezes, procura-se parecer pior. Hipocrisia por hipocrisia, prefiro a segunda

Fonte: “La Virtud Sospechosa”
Autor: Benavente y Martinez , Jacinto

Sem as pequeninas hipocrisias mútuas, tornar-nos-íamos intoleráveis uns para os outros

Autor: Wertheimer , Emanuel

Um homem pode agradar e sorrir e não passar de um facínora

Autor: Shakespeare , William

As nossas maiores dissimulações são desenvolvidas não para esconder o que há de ruim e feio em nós, mas o nosso vazio. A coisa mais difícil de esconder é aquilo que não existe

Autor: Hoffer , Eric

Ninguém pode, por muito tempo, ter um rosto para si mesmo e outro para a multidão sem no final confundir qual deles é o verdadeiro

Fonte: “A Letra Escarlate”
Autor: Hawthorne , Nathaniel

Eu poderia falar um monte de besteiras a mais sobre o tema, mas como obviamente muito já foi dito por figuras de propriedade e projeção reconhecidas, prefiro ler, aprender e, se possível, discutir com quem se dispuser a comentar.

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2 Comentários »

  1. Hahaha gostei do post. E contribuo:

    Vade-mécum (dè) s.m. (Lat. vade mecum, vai comigo). 1. Livros de conteúdo prático e formato cômodo. 2. Caderno em que se lançam apontamentos das obrigações diárias; agendas. 3. Jur. Coleção que engloba a Constituição e as leis federais, para uso de juízes e advogados.

    Plural: vade-mécuns.

    🙂

    Comentário por Mauro — novembro 28, 2008 @ 12:43 pm | Responder

  2. Hahahaha!!

    Eu adoro dicionários e verbetes enciclopédicos. Meu lema quanto ao assunto é que cultura ou mesmo informação são preciosos demais para que eu fique com frescuras com relação ao tipo de fonte, ao formato ou apresentação, a se vem da internet ou se é copiado mil vezes.

    Cultura e informação são o pão e o leite mentais. Digerir já é um outro processo (pior ainda prá quem é intolerante à lactose mental…).

    De algum tempo prá cá desenvolvi alguma apreciação por citações e referências, tanto que devo fazer um post sobre isso nas próximas semanas.

    😉

    Comentário por oldbastard — novembro 28, 2008 @ 4:50 pm | Responder


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